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Tecnologia, reflorestamento e proteção de nascentes marcam política ambiental do DF

De cada dez litros de água que abastecem uma torneira no Distrito Federal, uma parte considerável nasce protegida por decisão de governo. Foi esse o retrato traçado nesta sexta-feira, 7, pelo presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Guto Gomes, em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, apresentado por Toni Duarte e transmitido ao vivo pelo YouTube.

Segundo ele, o DF soma hoje 86 unidades de conservação consolidadas — parques ecológicos, reservas biológicas e áreas de proteção de mananciais — resultado de uma estratégia que, na sua definição, nasceu de uma ordem direta da governadora Celina Leão: “cuide das nascentes”.

Guto Gomes participou do quadro “Sabatinão do Povo”, em que é sabatinado ao vivo por jornalistas  de diferentes regiões do DF e do entorno, sem roteiro prévio. Ao longo da entrevista, o presidente do Ibram apresentou números, projetos e bastidores da política ambiental do Distrito Federal — do reflorestamento do cerrado ao uso de drones e câmeras térmicas para proteger as unidades de conservação.

Para Guto Gomes, cada unidade de conservação criada é também uma resposta à crise climática que o DF já sente na pele, com chuvas mais irregulares e calor mais intenso. “Quando você fala de unidade de conservação criada, você está protegendo o cerrado, o ecossistema”, resumiu. Um dos exemplos mais recentes é o Parque Distrital da Serrinha, em Sobradinho, criado ao lado do Refúgio de Vida Silvestre da região para blindar o entorno da Águas Emendadas — fenômeno hidrográfico que só existe no DF e que abastece bacias em direção a dois oceanos diferentes.

Segundo o presidente, a área protege hoje cerca de 60% das nascentes da região, e o Ibram já plantou 22 mil mudas nativas do cerrado como parte do reflorestamento local. “Se nós não cuidarmos das nossas nascentes, no futuro faltará água”, afirmou, lembrando a crise hídrica de 2017 como o episódio que, segundo ele, mudou a forma como o governo do DF encara o planejamento ambiental.

Tecnologia a favor do cerrado

Outro destaque da entrevista foi o investimento em tecnologia para monitorar as áreas protegidas. O Ibram já opera um sistema de câmeras instalado em torres na região norte do DF, batizado de “Desmata Fogo”, capaz de identificar em tempo real pontos de calor no território — o que, segundo Guto, acelera a resposta a incêndios florestais. Um projeto-piloto com câmeras de reconhecimento térmico também começa a ser testado dentro dos parques.

Para reforçar o combate aos incêndios, especialmente no período mais seco do ano, o instituto contratou e treinou 150 brigadistas nos últimos dois anos, que atuam de forma integrada com o Corpo de Bombeiros nas chamadas fases de prevenção e combate. “É usar a tecnologia a favor da preservação ambiental”, resumiu o presidente.

Hospital pioneiro para animais silvestres

Gomes também celebrou o funcionamento do primeiro hospital do país voltado exclusivamente ao atendimento de animais silvestres, referência hoje em casos de atropelamento e resgate de fauna. Diante do aumento na procura registrado nesta época do ano, o Ibram já garantiu uma compensação ambiental de R$ 700 mil para ampliar a estrutura, que deve ganhar sede dentro de uma unidade de conservação administrada pelo próprio instituto.

Investimento crescente

O presidente citou ainda outras frentes de investimento em curso: cerca de R$ 4 milhões em obras de cercamento de parques, R$ 8 milhões em edital voltado ao reflorestamento e R$ 10 milhões em tecnologia de monitoramento. Para ele, cada um desses valores representa um retorno direto à qualidade de vida da população. “Pro meio ambiente, todo custo eu costumo dizer que é investimento”, declarou.

Diálogo com a população

Guto Gomes encerrou a entrevista destacando que a política ambiental do DF passa por escuta constante da sociedade, incluindo moradores de condomínios em processo de regularização e comunidades do entorno das unidades de conservação. “Quando você ouve a sociedade, você dialoga com a sociedade, a possibilidade de assertividade da implementação da política ambiental é muito maior”, afirmou.

O programa Vozes da Comunidade é retransmitido por rádios comunitárias de Riacho Fundo II, Recanto das Emas, Samambaia, Núcleo Bandeirante, Ceilândia, Sobradinho, Planaltina, Luziânia e Águas Claras, além de contar com apoio cultural da Associação Brasileira de Portais de Notícias (ABBP).

Assista ao Vozes da Comunidade na íntegra:

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