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Bastidores da Crise: Em 2009, Arruda Articulou Venda do BRB e Viu Seu Presidente Indicado Acabar na Prisão

Por trás da tentativa de privatização do Banco de Brasília, alertas do Sindicato dos Bancários do DF e do Blog do Donny Silva anteciparam o colapso ético que culminou na prisão da cúpula da instituição.
Documentos de 2009 revelam que o então governador José Roberto Arruda articulava a venda do Banco de Brasília (BRB) e indicou, para a presidência da instituição, um gestor que teve uma passagem relâmpago.
Investigações do Sindicato dos Bancários do DF apontaram elos entre o ex-governador José Roberto Arruda e o escândalo no BRB, revelando que nomeações estratégicas e doações de campanha envolveram sua cúpula na crise. A operação Aquarela expôs malas de dinheiro no banco e contratos suspeitos, enquanto o governo abafou a criação de uma CPI na Câmara Legislativa para investigar as fraudes.
A matéria do jornalista investigativo Donny Silva, publicada em 25 de agosto de 2009,  baseou-se em denúncias sobre o envolvimento de figuras como Valdery Frota de Albuquerque e o major Fabrício Ribeiro dos Santos, ambos com laços com a gestão Arruda e o esquema de corrupção. 

Documentos, denúncias e fatos divulgados à época pelo Sindicato dos Bancários de Brasília apontaram uma série de conexões entre integrantes da administração do Banco de Brasília (BRB), pessoas ligadas ao então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e investigados na Operação Aquarela, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em junho de 2007.

As informações, amplamente divulgadas pelo sindicato e por setores da oposição, levantaram questionamentos sobre o grau de responsabilidade política do então governador na condução do banco estatal. Segundo os denunciantes, os fatos teriam sido ignorados ou pouco aprofundados tanto pela Câmara Legislativa do Distrito Federal quanto pelos órgãos de investigação da época.

Operação Aquarela revelou esquema dentro do BRB

Em 14 de junho de 2007, a Polícia Civil realizou a Operação Aquarela, que resultou na prisão do então presidente do BRB, Tarcísio Franklin de Moura, do ex-diretor de Recursos Administrativos e Tecnológicos, Ari Alves Moreira, do diretor do BRB Cartão, Rildo Ramalho Pinto, além de outras 17 pessoas.

Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em diversos setores do banco, incluindo salas da presidência e diretorias localizadas no Edifício Brasília.

Um dos episódios que mais chamou atenção ocorreu na sala do gerente executivo da mesa de operações, César Guimarães. Policiais encontraram duas malas contendo R$ 60 mil em espécie e US$ 200 mil. Segundo registros da investigação, US$ 120 mil estavam identificados para César Guimarães e outros US$ 80 mil para Paulo Moraes Júnior, subordinado do gerente.

Nomeações feitas no governo Arruda foram alvo de questionamentos

As denúncias destacavam que César Guimarães foi mantido em cargo estratégico pelo diretor financeiro Valdery Frota de Albuquerque, nomeado para o BRB durante a gestão Arruda.

Segundo o Sindicato dos Bancários, a nomeação de Valdery já era cercada de controvérsias, uma vez que ele respondia a questionamentos relacionados à sua atuação em outras instituições financeiras públicas, incluindo a Caixa Econômica Federal e a Nossa Caixa, de São Paulo.

Os denunciantes sustentavam que Valdery possuía relações anteriores com Tarcísio Franklin e que ambos haviam atuado conjuntamente na Associação Nacional de Bancos (Asbace), entidade que posteriormente firmou contratos milionários com o BRB sem processo licitatório.

Contratos milionários sem licitação

Entre os contratos questionados estava um acordo estimado em R$ 108 milhões para aquisição de equipamentos de informática.

As contratações foram denunciadas pelo Sindicato dos Bancários e pela então deputada distrital Erika Kokay ao Ministério Público.

Segundo as denúncias, a proximidade entre dirigentes do BRB e da Asbace reforçava suspeitas de favorecimento nas contratações realizadas pelo banco.

Doações eleitorais e indicações políticas

Outro ponto destacado pelas denúncias envolvia a empresa MSA, fornecedora de serviços de informática ao BRB e apontada como uma das principais doadoras da campanha eleitoral de Arruda em 2006.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  indicavam uma doação de R$ 400 mil realizada pela empresa durante o período eleitoral.

O Sindicato dos Bancários também apontava a atuação de José Antônio Mendes Fernandes, posteriormente indicado por Arruda para cargos de direção no BRB Cartão e no Conselho de Administração do banco.

Segundo os denunciantes, Mendes Fernandes possuía ligação próxima com o major da Aeronáutica Fabrício Ribeiro dos Santos, investigado e preso durante a Operação Aquarela. Fabrício era apontado pelas investigações como um dos principais dirigentes da ONG Caminhar, entidade que teria sido utilizada para movimentações financeiras relacionadas ao esquema investigado.

Além disso, registros eleitorais apontavam que Fabrício também realizou doação à campanha de Arruda em 2006.

Questionamentos sobre a responsabilidade política do governador

O principal argumento apresentado pelo Sindicato dos Bancários era que o então governador não poderia alegar total desconhecimento ou ausência de responsabilidade política sobre a crise que atingiu o BRB. Arruda quis jogar a culpa no governo anterior.

Para os denunciantes, havia uma sequência de fatos que conectava integrantes da gestão anterior do banco, dirigentes nomeados durante o governo Arruda, financiadores de campanha e investigados na Operação Aquarela.

As críticas se intensificaram após a prisão do presidente do BRB ocorrer menos de dois meses depois de sua permanência ou confirmação na estrutura administrativa vinculada ao novo governo.

CPI do BRB não avançou

Na época, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) chegou a discutir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os fatos relacionados ao BRB. Era notório que Arruda controlava a presidência da CLDF.

Segundo relatos divulgados pelo Sindicato dos Bancários, o governo inicialmente demonstrou apoio à investigação parlamentar. No entanto, posteriormente, a proposta perdeu força e acabou não avançando. Abafaram a CPI.

O sindicato também criticou a atuação dos órgãos de controle, afirmando que as investigações perderam intensidade à medida que se aproximavam de figuras politicamente influentes ligadas ao governo.

Interferência política sob suspeita

Embora nenhuma condenação judicial tenha atribuído diretamente ao então governador José Roberto Arruda participação nos crimes investigados pela Operação Aquarela, as denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Bancários sustentavam que existia forte influência política na composição da diretoria do BRB e em áreas estratégicas da instituição.

Os críticos do governo argumentavam que a manutenção de dirigentes ligados a contratos posteriormente investigados, bem como a indicação de pessoas com relações prévias com os envolvidos, configurava um ambiente de interferência política que contribuiu para a crise institucional enfrentada pelo banco naquele período.

Para os denunciantes, a sucessão de nomeações, vínculos pessoais, doações eleitorais e contratos questionados tornava difícil dissociar completamente o governo Arruda dos acontecimentos que marcaram um dos maiores escândalos da história do Banco de Brasília.

E Arruda passou os dois primeiros anos de governo falando em vender o Banco de Brasília (BRB). “Que moral tem Arruda para falar sobre o BRB hoje?”, questiona Donny Silva, primeiro jornalista a criar um veículo de comunicação para denunciar os desmandos do governo arrudista em abril de 2009.

Você disse: Entenda aqui as ligações que comprometeram Arruda no escândalo do BRB, segundo informações que foram amplamente divulgadas pelo Sindicato dos Bancários do DF, e “desconsideradas” pela Câmara Legislativa e pelo Ministério Público. Acompanhe: 0 governador José Roberto Arruda tem feito todo o possível, desde junho de 2007, para se desvencilhar das responsabilidades sobre a crise moral que atingiu a direção do BRB. Fingiu que não tinha nada com isso, e tentou jogar a culpa sobre a gestão passada, do ex-governador Roriz. Vejamos os fatos: Durante a Operação Aquarela, ocorrida na quinta-feira 14 de junho de 2007, em que foram presos Tarcísio Franklin de Moura, o ex-diretor de Recursos Administrativos e Tecnológicos, Ari Alves Moreira e o diretor do Cartão BRB, Rildo Ramalho Pinto, e mais 17 pessoas, a Polícia Civil do DF vasculhou e apreendeu documentos e computadores em cinco andares do Edifício Brasília, incluindo as salas da presidência e de vários diretores. No 8º andar da sede do BRB, os policiais encontraram duas malas na sala do gerente executivo da mesa de operações, César Guimarães. O gerente se recusou a abrir as malas, obrigando os policiais a arrebentá-las. Dentro havia 60 mil reais e 200 mil dólares. Das moedas americanas, um pacote com 120 mil era destinado a Guimarães e 80 mil estava em nome de Paulo Moraes Júnior, seu subordinado na mesa de operações. Os dois não apareceram no banco desde então. César Guimarães ocupava a mesma gerência na gestão de Tarcísio Franklin, quando chegou a integrar o Comitê de Investimentos da Regius, representando o banco. Foi mantido no posto pelo então diretor financeiro Valdery Frota de Albuquerque, nomeado por Arruda apesar das inúmeras denúncias de improbidade administrativa e gestão temerária que tramitam contra ele na Justiça Federal e no Tribunal de Contas da União — em razão de irregularidades que cometeu quando participou das direções da Caixa Econômica Federal e da Nossa Caixa paulista. Valdery assumiu no dia 24 de abril. Mesmo em tão pouco tempo, Guimarães já era seu homem de confiança. Talvez por causa de um outro elo familiar: Valdery é conhecido antigo de um irmão de César Guimarães, Alexandre Guimarães, que foi da Corretora Premius e é o atual presidente da Apimec-DF (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais). Alexandre esteve, na semana anterior a operação denominada Aquarela, na sala de Valdery, em reunião que durou mais de uma hora. É notório que Alexandre, que fez campanha aberta para Arruda, agia nos bastidores para nomear seu irmão César para a Diretoria Financeira da Regius (cujo posto só pode ser ocupado por funcionário do BRB). Sabe-se até que ele tinha um plano B: não sendo possível a indicação do irmão, ele próprio pretendia ser nomeado gerente de Investimentos da Regius (cargo que pode ser preenchido por alguém de fora do banco). Ou seja, o objetivo era colocar alguém da família em um posto estratégico do fundo de pensão. Valdery também é um velho conhecido de Tarcísio Franklin. Valdery foi vice-presidente da Asbace (Associação Nacional de Bancos), quando era presidente da Nossa Caixa de São Paulo, enquanto Tarcísio Franklin presidia a Associação. Fica a evidência de que Valdery, portanto, sabia da negociata dos contratos. Foi exatamente nessa época que o BRB, tendo Tarcísio Franklin na presidência das duas instituições, fez vários contratos sem licitação com a Asbace, sendo o principal no valor de R$ 108 milhões, para a aquisição de equipamentos de informática. O Sindicato dos Bancários e a deputada distrital Erika Kokay (PT) denunciaram esses contratos irregulares, inclusive ao Ministério Público. A MSA, prestadora de serviços de informática ao BRB, foi a principal doadora da campanha eleitoral de Arruda. Está registrado no TSE que ela doou R$ 400 mil no dia 11/09/2006. Um dos articuladores dessa arrecadação foi José Antônio Mendes Fernandes, atual diretor do BRB Cartão, indicado por Arruda. Mendes Fernandes foi diretor-presidente da Regius, nomeado no primeiro governo Roriz. E afastado mais tarde, por má gestão e denúncia de assédio. Além da diretoria do BRB Cartão, Mendes Fernandes foi ainda indicado por Arruda para o Conselho de Administração do BRB. Mendes Fernandes era também bastante próximo do major da Aeronáutica Fabrício Ribeiro dos Santos, preso junto com Tarcísio Franklin e Ari Alves Moreira. O major Fabrício foi considerado o principal dirigente da ONG Caminhar, que ocupava lugar de destaque no esquema de lavagem do dinheiro obtido com os contratos irregulares do BRB. O major Fabrício manifestava publicamente o seu orgulho por ter indicado Mendes Fernandes para o BRB Cartão. O major Fabrício também foi doador da campanha de Arruda. Está lá na prestação de contas da campanha do governador junto ao TSE: R$ 5.000,00 repassados no dia 31/07/2006. Arruda quis se eximir de responsabilidades pelas falcatruas no BRB. Esforço inútil, como se vê, diante das ligações entre os gestores antigos, os que ele nomeou para o banco e o esquema de arrecadação de sua campanha (veja abaixo trecho do Correio Braziliense de domingo 17). “Cançado disse que a terceirização dos serviços, nos moldes do que ocorre no BRB, existe também em outra instituição financeira oficial, a Nossa Caixa, banco do Estado de São Paulo”.Fica clara a ligação do mesmo tipo de procedimento entre a gestão da Nossa Caixa, da qual participaram com poder de decisão, os diretores do BRB, nomeados por insistência do governador Arruda, Valdery Frota de Albuquerque e Luiz Francisco Monteiro de Barros Neto. Como pode o governador Arruda fugir à sua responsabilidade, se o presidente que ele nomeou para o BRB foi preso com menos de dois meses de mandato? E se outros administradores que ele nomeou já mantinham ligação e conhecimento estreitos com Tarcísio Franklin e seus pares de falcatrua? Estas indagações foram feitas pelo Sindicato dos Bancários de Brasilia. O Ministério Público fez muito barulho, pediu o bloqueio de bens e dinheiro dos acusados (e conseguiu), mas anda muito quieto desde então, principalmente quando se chegou perto de Arruda. Estranho, muito estranho. E a Câmara Legislativa avisou que abriria a CPI do BRB, tendo recebido apoio explícito de Arruda. Porém, assessores (e ex diretores do BRB) avisaram que se a CPI do BRB fosse instalada, “cabeças poderiam rolar”, o que fez Arruda mudar de idéia e abafar o caso. No governo de Arruda, ninguém parece querer investigar coisa alguma. É realmente estranho, muito estranho! Não foi à toa que Arruda passou dois anos falando em vender o banco…

Denúncias do Sindicato dos Bancários do DF apontaram ligações entre a gestão do ex-governador José Roberto Arruda e o esquema de desvios no BRB, revelado durante a Operação Aquarela em 2007. Evidências sugerem que indicados de Arruda mantinham relações com operadores presos com malas de dinheiro e com empresas doadoras de campanha, enquanto investigações na Câmara Legislativa foram abafadas.

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