Muito dinheiro para um Instituto sem o devido credenciamento chamou atenção de órgãos de controle externo, que pediram explicações e providências que foram completamente ignoradas por um subsecretário na Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Uma emenda parlamentar de R$ 10,7 milhões do deputado federal Rafael Prudente (MDB) abasteceu o Instituto Elisedape por meio do Termo de Fomento nº 10/2024, destinado ao projeto “Em um Piscar de Olhos”, firmado dentro da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES), em um dos episódios que hoje mais desgastam os bastidores da gestão da Saúde pública no DF.
No centro das denúncias aparece o subsecretário Samuel Barbosa dos Santos Júnior, apontado por servidores e documentos oficiais como principal articulador da manutenção de contratos e parcerias com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) mesmo diante de sucessivos alertas técnicos, jurídicos e apontamentos dos órgãos de controle.
Auditorias e manifestações técnicas apontaram ausência de critérios técnicos, inexistência de encaminhamento formal para centenas de alunos atendidos, discrepâncias em notas fiscais, descumprimento de metas, ausência de CNES-DF e possível risco de dano ao erário.
Ainda assim, a estrutura continuou funcionando normalmente durante onze meses, inclusive com pagamentos antecipados e sucessivos aditivos contratuais, ignorando recomendações formais do Tribunal de Contas do Distrito Federal e alertas produzidos pelo próprio corpo jurídico da Secretaria de Saúde do DF.
Uma denúncia formal registrada na Ouvidoria do GDF (OUV-045850/2026) relata que servidores recém-empossados teriam sido coagidos a favorecer OSCs ligadas às articulações conduzidas por Samuel Júnior. O documento também aponta um suposto desmonte técnico dentro da Secretaria de Saúde, com afastamento de servidores efetivos e substituição por nomeações políticas voltadas à execução de interesses relacionados a emendas parlamentares.
Nos bastidores da administração pública, cresce a percepção de que Samuel Júnior consolidou uma estrutura paralela de poder dentro da pasta, utilizando sua influência para relativizar exigências legais, enfraquecer controles internos e manter funcionando contratos cercados de irregularidades mesmo diante de sucessivos alertas técnicos.
Nos corredores do governo, o episódio passou a ser tratado como símbolo do enfraquecimento dos filtros éticos e técnicos dentro da administração pública. O caso aprofunda o constrangimento institucional em um momento em que cresce o debate nacional sobre o destino de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares e sua fiscalização.
Embora Samuel Júnior apareça como principal operador político e administrativo desse modelo de gestão, servidores relatam que todas essas movimentações ocorrem sob a validação da chefe de gabinete Amanda Elias Castro, apontada internamente como responsável por dar sustentação política e administrativa às “decisões estratégicas ” adotadas dentro da pasta.
Dentro da própria Secretaria de Saúde, cresce a revolta de servidores efetivos diante do que classificam como aparelhamento político da estrutura pública. O ambiente interno é descrito por funcionários como tomado pelo medo, pressão política e enfraquecimento técnico das áreas de controle.
A saúde pública é tratada como prioridade máxima pela governadora Celina Leão (PP). Diante da gravidade das denúncias, dos apontamentos oficiais de irregularidades e do desgaste crescente dentro da própria Secretaria de Saúde, aumenta a pressão política e administrativa para que Celina determine a imediata exoneração de Samuel Barbosa dos Santos Júnior.
A pergunta que hoje ecoa dentro e fora da Secretaria de Saúde do DF é simples: qual o verdadeiro interesse de Samuel Júnior em manter, durante onze meses, um contrato cercado de irregularidades apontadas não apenas pelos órgãos de controle externo, mas inclusive pelo próprio jurídico da Secretaria de Saúde do Distrito Federal?
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O post Samuel Barbosa dos Santos Júnior é alvo de denúncias por suposto favorecimento de OSCs na SES apareceu primeiro em Donny Silva.