Na foto acima, da esquerda para a direita: deputado distrital Wellington Luiz, Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, ex-governador Ibaneis Rocha e o deputado federal Rafael Prudente, durante anúncio do rompimento com Celina
Crise interna escalou após ex-governador Ibaneis Rocha anunciar rompimento com a governadora Celina Leão; Executiva Nacional assume o controle da sigla no DF para conter os danos.
DISTRITO FEDERAL – Ego, estrelismo, omissão e um nítido distanciamento das demandas reais da população são os ingredientes que alimentam a forte crise política do MDB no Distrito Federal.
O estopim do racha ocorreu após o ex-governador Ibaneis Rocha usar as redes sociais para anunciar o rompimento político com a atual governadora, Celina Leão (PP). O movimento desestabilizou a base governista e abriu uma guerra interna sobre os rumos da legenda para as eleições de 2026.
A gravidade do impasse fez o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, intervir diretamente. Ele suspendeu todas as decisões do diretório regional do DF e avocou a análise da disputa para a Executiva Nacional.
Um partido dividido em dois blocos
Atualmente, o MDB do Distrito Federal está formalmente rachado em dois grupos antagônicos:

- Ala Pró-Candidatura Própria: Liderado pelo deputado federal Rafael Prudente, o bloco conta com o apoio dos deputados distritais Hermeto, Iolando e Jaqueline Silva. Eles defendem o protagonismo da sigla e exigem o lançamento de uma candidatura própria ao Palácio do Buriti em 2026. Foi este grupo que protocolou o requerimento de intervenção nacional após o desgaste entre Ibaneis e Celina.
- Ala Pró-Celina Leão: Sob a liderança do deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa (CLDF), Wellington Luiz, este grupo defende a manutenção da aliança local e o apoio irrestrito à reeleição de Celina Leão. Aliados de Wellington classificam a movimentação dos opositores internos como uma “tentativa de golpe” motivada por interesses estritamente particulares.
O estopim e o “fator Senado”
O clima azedou em definitivo quando Celina Leão declarou publicamente que “sucessão nunca será submissão”. A frase foi interpretada por aliados de Ibaneis como um recado direto de insubordinação.
Originalmente, o apoio automático do MDB ao projeto de reeleição de Celina estava condicionado ao favoritismo absoluto de Ibaneis Rocha a uma vaga no Senado. Contudo, o ex-governador perdeu terreno quando o PL anunciou apoio formal às candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para as duas vagas da Casa Alta. Preterido e sem a garantia do espaço, Ibaneis reagiu, abrindo margem para o partido rediscutir a composição da chapa majoritária.
Intervenção nacional e o xadrez político
Por determinação da cúpula nacional, a gestão de Wellington Luiz na executiva regional está congelada. Uma junta governativa de cinco integrantes, liderada pelo líder do MDB na Câmara dos Deputados, Isnaldo Bulhões (MDB-AL), foi nomeada para avaliar o cenário. A decisão oficial sobre o comando da sigla e as candidaturas locais será deliberada pela Executiva Nacional nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026.
Os bastidores revelam uma manobra clara: o plano desenhado por Prudente e Ibaneis prevê colocar o ex-governador na presidência do MDB-DF e lançar Rafael Prudente como candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF). Com forte poder econômico, Prudente tentará cooptar outras legendas para encorpar seu projeto político.
Do outro lado, Celina Leão adota uma postura de observação estratégica. Confiante em sua robusta base de sustentação — que soma 12 partidos —, a governadora conta também com o desgaste público de Ibaneis diante do escândalo “Master-BRB”, que tem feito a popularidade do ex-governador derreter nas ruas e nas redes sociais.
O erro do isolamento político
O movimento atual de Ibaneis Rocha lembra o erro estratégico cometido pelo senador Izalci Lucas em 2022. Naquela época, os ataques repetidos de Izalci à então deputada federal Paula Belmonte foram vistos como machismo político, minando suas chances e resultando em uma derrota expressiva nas urnas.
Agora, analistas apontam que Ibaneis repete a dose ao tentar construir um projeto de poder isolado contra Celina Leão — justamente a aliada que foi peça-chave para garantir sua reeleição em primeiro turno em 2022.
No xadrez político do DF, o isolamento costuma cobrar um preço alto. E a traição costuma afundar projetos pessoais.
O post Racha no MDB-DF: Como ego, estrelismo e briga por poder ameaçam o futuro do partido para 2026 apareceu primeiro em Donny Silva.