A megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, nesta terça-feira (28/10) na zona norte do Rio de Janeiro, já é a mais letal da história da cidade. Ao menos 64 pessoas foram mortas, incluindo quatro policiais, e 81 foram presas, segundo balanço da Polícia Civil fluminense.
A ação, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Ministério Público do Rio (MPRJ), tinha como objetivo desarticular a estrutura do Comando Vermelho (CV), principal facção do tráfico no estado. O grupo, segundo as autoridades, vinha expandindo territórios estratégicos para o escoamento de drogas e armas na capital.
Durante o confronto, criminosos ergueram barricadas, lançaram bombas com drones e abriram fogo contra as equipes. O tiroteio se estendeu por diversas áreas dos complexos e deixou moradores em pânico.
Histórico de operações letais
O levantamento do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF) mostra que a operação desta terça ultrapassou todos os episódios anteriores em número de mortos.
Veja o histórico:
- Complexos do Alemão e da Penha (2025) – 64 mortos
- Jacarezinho (2021) – 28 mortos
- Vila Cruzeiro (2022) – 24 mortos
- Complexo do Alemão (2007) – 19 mortos
- Senador Camará (2003) – 15 mortos
- Fallet/Fogueteiro (2019) – 15 mortos
- Complexo do Alemão (1994) – 14 mortos
- Complexo do Alemão (1995) – 13 mortos
- Morro do Vidigal (2006) – 13 mortos
- Catumbi (2007) – 13 mortos
Estrutura da operação
- A ação foi deflagrada para cumprir 51 mandados de prisão expedidos contra traficantes que atuam no Complexo da Penha.
- No total, 67 pessoas foram denunciadas por associação para o tráfico, e outras três por tortura.
- O grupo é acusado de controlar pontos de venda de drogas, comandar execuções e determinar escalas de “soldados” armados nas bocas de fumo.
- Além de Doca e Belão, foram apontados como líderes Pedro Paulo Guedes (Pedro Bala), Carlos Costa Neves (Gadernal) e Washington Cesar Braga da Silva (Grandão).
- Segundo o MPRJ, o Complexo da Penha é considerado um ponto estratégico por sua proximidade com vias expressas e pela facilidade de transporte de drogas e armamentos.
A comunidade foi acordada com os disparos
Imagem cedida ao Metrópoles
Fogo e chamas intensas foram vistos nas comunidades
Imagem cedida ao Metrópoles
Os criminosos colocaram fogo nas barricadas
Imagem cedida ao Metrópoles
Operador financeiro de Doca, um dos líderes do CV, é preso no Rio
Reprodução / PCERJ
Mulher é baleada dentro de academia durante megaoperação no Complexo do Alemão e Penha
Reprodução/Internet
Complexo do Alemão vira campo de guerra em megaoperação com 2.500 policiais
Imagem cedida ao Metrópoles
Complexo do Alemão vira campo de guerra em megaoperação com 2.500 policiais
Imagem cedida ao Metrópoles
Mansão de traficante do CV preso em megaoperação tinha quadro do Oruam
Imagem cedida ao Metrópoles
CV ataca polícia com drones e bombas em megaoperação no Alemão
Imagem cedida ao Metrópoles
Mortes de policiais e homenagens
Entre os mortos estão Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, e Rodrigo Velloso Cabral, de 34. Ambos eram policiais civis e integravam as equipes da operação. Máskara era chefe da 53ª Delegacia de Polícia (Mesquita), enquanto Cabral atuava na 39ª DP (Pavuna).
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O governador Cláudio Castro (PL) prestou condolências às famílias e classificou a ação como “a maior já realizada na história do Rio de Janeiro”. Segundo ele, o planejamento da operação buscou priorizar confrontos em áreas de mata, “longe das comunidades”, para reduzir riscos à população civil.

Prisão de liderança do CV
Durante a coletiva, o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, foi informado da prisão de Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, considerado braço direito de Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma das principais lideranças do Comando Vermelho no Rio.
Belão é apontado como chefe do Morro do Quitungo, também na Penha, e investigado por tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e participação em confrontos com quadrilhas rivais. Sua prisão é considerada estratégica para enfraquecer o núcleo de comando da facção.
Cenário de guerra
Em resposta à megaoperação, traficantes do CV lançaram explosivos por drones contra equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), tropa de elite da Polícia Civil. O confronto resultou em incêndios pontuais e bloqueios de acesso em diversas comunidades.
Moradores relataram falta de transporte, fechamento de escolas e interrupção de serviços públicos durante toda a manhã. O clima de guerra trouxe lembranças de operações anteriores que deixaram marcas profundas na cidade.