Obaaaa! Temos chuvaaaa!

Enfim, chuva em Brasília!!!

Todo ano é assim, chegamos nos meses de agosto e setembro esturricados com o calor, a poeira e a secura, então, temos a sensação de que estamos respirando arame farpado; a roupa no varal é retirada dura, de tão seca, a pele fica acinzentada, clamando por um hidratante, os olhos ardem, o nariz sangra e os cabelos da mulher de chapinha, se juntam ao motoboy e comemoram mais um dia sem chuva.

No entanto, eis que chega outubro e tudo muda, o pó vira lama, a chuva te puxa pra cama e tudo o que você quer, é assistir um filme e olhar a chuva pela janela, mas a realidade é outra Cinderela, você é a gata borralheira e precisa continuar no “lesco lesco”, como dizia a minha mãe, o que quer dizer, continuar a trabalhar, a ralar, a produzir.

O que chamo a sua atenção é para que se atente às coisas simples. Muitas vezes a nossa vida está tão dura, tão difícil, que o que nos foi dado de graça e pela graça, passa batido. Talvez você tenha de fato uma história de vida um tanto quanto complexa, com seus fracassos, suas rejeições, suas dores e limitações, mas não deixe de acreditar que vencedor não é quem vence o tempo todo, mas aquele que enxerga o próprio sofrimento como um presente, que sabe que deserto é lugar de passagem e não de morada, mas que é através dele que você se torna ainda mais forte, enquanto isso, não deixe de curtir o processo. Tem uma frase de Willian Feather, autor norte americano, que diz: “Algumas pessoas estão fazendo uma preparação tão minuciosa para os dias de chuva, que elas não estão aproveitando o brilho do sol de hoje”. Perceber que tudo estava cinza e já nas primeiras chuvas ficou verde e floresceu, não custa nada, parar um pouco e olhar a chuva não custa nada, contemplar o pôr do sol, não custa nada, abraçar alguém que você ama é tão aprazível, poder pensar por si só é tão humano… e olha, não custa nada, por enquanto. Respirar sem máscara é tão gostoso, mas parece que você se esqueceu, porque mesmo no carro ou ao ar livre, eu me deparo com você de máscara, por quê? Se o seu medo de morrer é maior que a vontade de viver, repense sua vida, será que seu medo é mesmo real?

Então, enquanto as coisas mais preciosas da vida são de graça, enquanto estamos aqui, porque o tempo passa, brindemos a saúde e a oportunidade de usufruir das flores, do nosso cerrado, do nosso clima, dizer que amamos alguém que ainda está vivo, agradecer a oportunidade de se sentir amado, amada, e sentir que a alegria vem de dentro da gente e não da festa de uma balada. Quando você passa a encarar suas próprias fraquezas sem ficar deprimido, quando entende que ter limitações é comum, então você passa a amadurecer e a dar um novo formato à sua vida, uma nova cor, e o que era fraqueza e vergonha, tornam-se trabalho e força. Pense aqui comigo: Se hoje, com as suas fraquezas e limitações você já se acha “a última bolacha do pacote”, imagine se não as tivesse?  Se você ainda acha que a felicidade está nas coisas, se conheça melhor, porque isso é cilada; o autoconhecimento te fará mais maduro, te deixará mais seguro para decidir e saber que você está onde deveria estar, porque você é fruto das suas próprias escolhas.

E atenção: Se alguém te entregar “As sete chaves para a felicidade”, “Cinco passos para ser um milionário”, FUJA! Porque só quem fica feliz e milionário é quem te vende estes livros. Tudo isso é individual. A felicidade é individual, a riqueza é individual… enquanto Antônio é feliz acordando às 5:00h pra andar de bicicleta por 2 horas e sair para trabalhar, Jerônimo é feliz acordando às 9:00h pra sair pra trabalhar e a Nina é feliz saindo às 20:00h pra cantar. Enquanto um se forma em engenharia, mas descobre que é feliz dando aula, outro se forma em pedagogia, mas é feliz adestrando cães e outro ainda começa fazendo medicina veterinária, mas no sexto semestre abandona e vai fazer faculdade de Letras, porque isso é o que ele quer. Ah sim, claro, também existe aquele que faz geografia, se forma e trabalha na área que escolheu. O fato é que pra descobrir é preciso estar fazendo, se mexendo, realizando e não teorizando, achando, suspeitando, é preciso ir e descobrir por si só. E a riqueza? Da mesma forma. Pra alguns, riqueza é morar na roça, pra outros na cidade, pra outros riqueza é ter saúde, pra outros é ter muito dinheiro, pra outros é ter o suficiente, pra outros é poder sair com a família, pra outros é só poder, pra outros sair pra pescar com os amigos, pra outros, riqueza é poder contar com um Pai.

Seu exercício de hoje é prestar a atenção nas coisas simples da vida, descobrir quais são suas fraquezas, descobrir o que te faz feliz e conseguir dizer pra si, com sinceridade, o que é riqueza pra mim?

Seja grato, seja feliz, descubra suas riquezas.

Pense nisso.

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