MP do Rio diz que duas mortes em megaoperação foram “atípicas”

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) enviou, nesta quarta-feira (12/11), ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório que aponta a existência de “lesões atípicas” em dois corpos dos 121 mortos na megaoperação policial deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, no último dia 28 de outubro.

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Megaoperação no Rio deixou mais de 100 mortos

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A incerteza sobre a própria segurança impede o descanso e compromete a saúde mental de quem vive sob risco constante

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Ricardo estava fardado quando foi morto

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Quatro policiais morreram

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Criminosos foram flagrados com fuzis e “roupas de guerra” antes de megaoperação

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Segundo líder do PT na Câmara, atuação de milícias nas favelas do Rio também será alvo de investigação da PF

Reprodução/X

O documento foi elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT) que acompanhou os exames no Instituto Médico Legal (IML). O texto aponta que foram observadas duas “lesões atípicas”, destoando das demais. A primeira era um corpo que apresentava lesões com características de disparo de arma de fogo à curta distância.

A segunda lesão atípica, apontada pelo MP, é um outro corpo que possuía lesão “produzida por projétil de arma de fogo à distância, porém apresentava, adicionalmente, ferimento por decapitação, produzido por instrumento cortante ou corto-contundente.”

O relatório consta nos autos da ADPF das Favelas (ADPF 635).

O MP destaca que todos os 121 mortos eram do sexo masculino. “Todos foram atingidos por projéteis de arma de fogo, típicos daqueles de alta energia cinética (fuzis), com lesões externas e internas características desse tipo de ação”, diz MP.

O documento ainda traz a idade média dos 121 mortos, que está entre 20 e 30 anos.

“Foi observada a presença de múltiplas lesões de entrada e saída de projéteis, localizadas, predominantemente, em regiões do tórax, abdome e dorso, compatíveis com confronto armado.”

No relatório também consta que muitos dos mortos vestiam uniformes camuflados com botas operacionais, coletes com porta-carregadores e luvas táticas para atiradores.

“Durante os exames, foram encontrados nos bolsos de algumas vestimentas, munições, erva prensada e aparelhos de telefonia celular (…) A maioria dos corpos exibia múltiplas tatuagens, algumas sabidamente referentes a facções criminosas e ao extermínio de policiais”.

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Por fim, o MP pede que seja realizada a análise detalhada das câmeras corporais de alguns policiais envolvidos na megaoperação.

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