Ibaneis deixa o Buriti e encerra gestão marcada por decisões-chave ao longo de sete anos

Ibaneis Rocha (MDB) deixou o comando do Distrito Federal para entrar na disputa por uma vaga no Senado em 2026, encerrando uma gestão de sete anos e três meses que combinou uma agenda intensa de obras com crises políticas e investigações ao longo do caminho.

A saída foi formalizada dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral e abre espaço para que a vice-governadora Celina Leão assuma o governo do DF. A transmissão do cargo ocorre nesta segunda-feira (30).

Sem trajetória prévia em cargos eletivos, Ibaneis chegou ao Buriti em 2018 após construir carreira na advocacia. Presidiu a OAB-DF entre 2013 e 2015, foi diretor do Conselho Federal da entidade e atuou como corregedor-geral. Na eleição, ultrapassou 1 milhão de votos e se tornou o primeiro nascido em Brasília a ocupar o cargo de governador.

O início da gestão ganhou outro rumo com a pandemia de Covid-19. Diante da crise sanitária, o governo adotou medidas duras, como a suspensão de aulas, a paralisação de serviços, o cancelamento de eventos e as restrições de circulação. Em 2021, o DF enfrentou lockdown e toque de recolher. A flexibilização começou a ocorrer entre 2022 e 2023.

Ibaneis afirma que recebeu o governo com dificuldades financeiras e mais de R$ 8 bilhões em dívidas. Segundo ele, o primeiro passo foi reorganizar as contas para viabilizar investimentos. “Brasília estava sem projetos e sem perspectiva”, disse em entrevista recente.

A partir dessa reorganização, o governo passou a investir em obras e na expansão de serviços. Entre os principais projetos estão o túnel de Taguatinga, a DF-140 e o programa Drenar-DF. Na saúde, foram entregues unidades de pronto atendimento (UPAs) e unidades básicas de saúde (UBSs). O balanço da gestão aponta cerca de 7,3 mil obras realizadas.

Em 2022, Ibaneis foi reeleito no primeiro turno, com 832.633 votos, o equivalente a 50,31% dos válidos,  resultado inédito no DF.

Pouco depois, o segundo mandato foi impactado pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A invasão das sedes dos Três Poderes colocou Brasília no centro da crise institucional. Cerca de 1,4 mil pessoas foram condenadas pelos crimes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), responsabilizado por tentativa de golpe de Estado.

Ibaneis foi afastado do cargo por 65 dias durante as investigações e alvo de busca e apreensão. Ao retornar, afirmou estar “de coração limpo”. Em março de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento do inquérito em relação ao governador, apontando ausência de indícios de omissão ou interferência nas ações das forças de segurança.

Na área administrativa, o governo avançou em medidas voltadas aos servidores. Entre 2024 e 2025, foram concedidos reajustes salariais e reestruturações de carreira. O pacote incluiu aumento de até 27,2% para policiais,  aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além da ampliação das gratificações por titulação para professores.

Também foram realizadas mais de 2 mil nomeações de policiais e bombeiros. Outro destaque foi a criação do GDF Saúde, plano voltado aos servidores do DF, que atende mais de 80 mil beneficiários.

A gestão, no entanto, também foi atingida por investigações em diferentes áreas, como as secretarias de Esporte e Educação, além do Iges-DF e do Iprev-DF.

No caso do Iprev, o ex-presidente Ney Ferraz Júnior foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro pela Justiça do DF. Ele nega as acusações e recorre ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Após a decisão em segunda instância, Ibaneis determinou sua exoneração do cargo de secretário de Economia.

Já nos últimos meses de governo, uma nova crise surgiu com o caso envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e operações com o Banco Master, investigadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

Ibaneis afirmou que não participou diretamente das negociações e disse que a operação havia sido apresentada como uma estratégia para transformar o BRB em um dos maiores bancos do país, sem necessidade de aporte do governo. Declarou ainda não ter conhecimento técnico sobre o sistema financeiro e afirmou que não sabe “nem passar Pix”.

Questionado sobre a compra de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master, disse que só tomou conhecimento mais detalhado quando surgiram os problemas.

Com a saída do governo, Ibaneis passa a focar na disputa pelo Senado. Ele afirma que tentará construir uma candidatura unificada no campo da centro-direita, embora reconheça a possibilidade de fragmentação.

Entre os nomes no cenário estão Bia Kicis (PL), Michelle Bolsonaro (PL), Sebastião Coelho (Novo) e o próprio Ibaneis.

As eleições estão marcadas para o dia 4 de outubro de 2026. No DF, Ibaneis deve apoiar Celina Leão, que assume o governo e passa a ser sua principal aposta na sucessão.

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