Com creches 100% integrais, DF muda lógica do atendimento na primeira infância

Antes mesmo de o relógio marcar 8h, o movimento já toma conta do Centro de Educação da Primeira Infância (Cepi) Flor de Magnólia, no Riacho Fundo II. Entre mochilas, despedidas rápidas e passos ainda inseguros, começa mais um dia de uma rotina que vai muito além do cuidado básico e se consolida como etapa essencial da formação das crianças no Distrito Federal.

Na unidade, 188 crianças de até 4 anos passam cerca de dez horas por dia em um ambiente estruturado para estimular o desenvolvimento desde os primeiros meses de vida. A entrada marca o início de uma sequência organizada de atividades que equilibram alimentação, aprendizado e convivência.

O dia começa com o café da manhã, servido logo após a chegada. O cardápio, elaborado por nutricionista da rede pública, é repassado às famílias semanalmente e inclui opções como mingau, frutas, cuscuz e bolos. Em seguida, as crianças seguem para as salas, onde têm início as atividades pedagógicas.

Um dos momentos mais importantes da manhã é a interação em grupo, com músicas, histórias e rodas de conversa. A proposta pedagógica não busca antecipar a alfabetização, mas desenvolver habilidades de forma gradual, respeitando a idade de cada criança. Elementos como cores, números e linguagem aparecem inseridos nas brincadeiras e nas experiências do cotidiano.

Ao longo da manhã, atividades como pintura, colagem, uso de massinha e jogos educativos ajudam a estimular aspectos motores, cognitivos e sociais. Também há espaço para o contato com áreas externas, onde o parquinho e os ambientes abertos favorecem a interação entre as crianças.

Para muitas famílias, os resultados desse modelo aparecem rapidamente. A servidora pública Sthephanie Ribeiro conta que a filha, de 11 meses, apresentou mudanças no comportamento pouco tempo após começar a frequentar a unidade, com avanços na socialização e no desenvolvimento.

Outro exemplo vem do empresário Rodrigo Matos, que matriculou o filho com diagnóstico de autismo. Segundo ele, a adaptação foi positiva e trouxe evolução no comportamento e na interação com outras crianças, além de maior tranquilidade no dia a dia.

No meio da manhã, um lanche leve reforça a alimentação antes da retomada das atividades. Já por volta das 11h, é servido o almoço, com refeições balanceadas que incluem arroz, feijão, proteínas e vegetais. Os bebês permanecem nas salas, enquanto os maiores utilizam o refeitório adaptado.

Após o almoço, a rotina desacelera com o período de descanso. O intervalo é seguido por cuidados de higiene e novas atividades no período da tarde, além de mais uma refeição leve.

O fim do dia mantém o ritmo com brincadeiras livres, jogos coletivos e momentos ao ar livre. O jantar fecha o ciclo alimentar, garantindo cinco refeições ao longo da jornada. Antes da saída, as equipes registram as atividades realizadas e organizam o retorno das crianças para casa.

A partir das 17h, os responsáveis começam a chegar, encerrando mais um dia marcado por estímulos, aprendizado e convivência.

A dinâmica observada no Cepi Flor de Magnólia se repete em toda a rede pública do Distrito Federal, que atende atualmente 33.352 crianças em período integral. O sistema conta com 73 Centros de Educação da Primeira Infância, além de instituições parceiras, unidades privadas vinculadas ao Cartão Creche e escolas da rede pública.

A educação infantil passou por uma mudança de concepção nas últimas décadas e deixou de ser vista apenas como assistência. Hoje, integra oficialmente a educação básica e é considerada etapa estratégica para o desenvolvimento das crianças.

A ampliação da rede tem sido um dos principais eixos dessa política. Desde 2019, o Distrito Federal construiu 27 novos Cepis, o que contribuiu para reduzir a fila de espera por vagas, que já chegou a 24 mil crianças.

Nas unidades, o acompanhamento é feito de forma contínua. As equipes pedagógicas monitoram o desenvolvimento dos alunos e mantêm contato frequente com as famílias, compartilhando informações sobre a evolução de cada criança.

Com estrutura, alimentação adequada e proposta pedagógica voltada ao desenvolvimento integral, as creches do DF consolidam um modelo que alia educação e cuidado desde os primeiros anos, um investimento direto no futuro das crianças e na rotina das famílias.

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