
Em cerimônia no Buriti, Celina Leão formaliza nascimento da 26 de Setembro e da Ponte Alta e destrava compra de 15 trens que devem dobrar o fluxo de passageiros do metrô até 2031
Por anos, quem morava na 26 de Setembro ou na Ponte Alta respondia a uma pergunta simples com uma explicação longa: “de onde você é?” não tinha resposta rápida. As duas localidades cresceram, ganharam ruas, comércio e milhares de famílias, mas seguiam sem existir no mapa oficial do Distrito Federal. Nesta sexta-feira (3), essa lacuna acabou.
Em uma cerimônia no Palácio do Buriti, a governadora Celina Leão sancionou as leis que transformam as duas regiões em cidades reconhecidas — a 36ª e a 37ª regiões administrativas do DF. No mesmo evento, também assinou a autorização para abrir a licitação de 15 novos trens do metrô, um contrato que deve superar a casa do bilhão de reais e é tratado pelo governo como o maior investimento em material rodante da história do Metrô-DF.
A ordem dos atos não foi por acaso. Antes de falar em trens, a governadora tratou de gente. Ela relembrou que passou os últimos meses circulando por essas regiões — muitas vezes debaixo de sol, em ruas sem pavimentação — para acompanhar de perto obras de infraestrutura básica, como iluminação e abertura de vias.
Parlamentares que atuam na região não deixaram por menos. O deputado distrital Daniel de Castro, que representa a 26 de Setembro, arrancou risos e aplausos ao contar que se perdeu nos corredores do Palácio de tanta gente circulando para a solenidade. Depois, mudou o tom: cobrou, em nome dos moradores, décadas de promessas não cumpridas por diferentes gestões e disse que agora sentia o peso de ver a cidade sair do papel.
Já o deputado Eduardo Pedrosa, que acompanha a Ponte Alta desde os primeiros mandatos, preferiu falar de gratidão. Ele dividiu a homenagem com lideranças comunitárias que, segundo ele, sustentaram a mobilização mesmo quando ninguém acreditava que a regularização sairia do papel.
O que muda na prática
A criação formal das regiões administrativas não é só um gesto simbólico. Na prática, abre caminho para que a 26 de Setembro e a Ponte Alta tenham administração regional própria, orçamento identificado e prioridade em programas que hoje dependem de outras cidades vizinhas para funcionar — caso de postos de saúde, segurança pública e escolas.
Segundo relatos ouvidos durante a cerimônia, parte dessa estrutura já está sendo montada mesmo antes da assinatura: trechos de rua ganharam iluminação em LED, equipes trabalham na instalação de rede elétrica de média e alta tensão, e o terreno para a primeira Unidade Básica de Saúde da 26 de Setembro já foi definido.
Metrô: da promessa à licitação
Enquanto os deputados falavam em identidade e pertencimento, o outro anúncio do dia mirava quem depende dos trilhos para chegar ao trabalho todos os dias. O presidente do Metrô-DF, Handerson Ribeiro, tratou a compra dos 15 novos trens como uma resposta a um pedido antigo da população, que via a companhia anunciar renovação de frota há anos sem que a compra saísse do papel.
Os novos trens, compostos por quatro carros cada, devem incorporar tecnologia mais moderna de climatização e controle operacional do que a frota atual. A expectativa da companhia é publicar o edital nas próximas semanas, fechar contrato ainda neste semestre e começar a receber as primeiras composições dentro de dois anos — com produção prevista para arrancar em 2027.
Somada à expansão de linhas que já avança para Samambaia e à obra que deve levar o metrô a quatro novas estações em Ceilândia, a chegada da nova frota é apontada pelo governo como a peça que faltava para dobrar a capacidade de transporte sobre trilhos no Distrito Federal nos próximos anos.
Os atos assinados nesta sexta-feira encerram uma espera de anos para moradores da 26 de Setembro e da Ponte Alta e dão início a uma nova etapa de investimentos na mobilidade do Distrito Federal. Enquanto as duas localidades passam a contar com estrutura administrativa própria, o Metrô-DF avança para a abertura da licitação que deve viabilizar a maior renovação de frota da história da companhia, com expectativa de dobrar a capacidade de transporte nos próximos anos.
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