
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pretende abrir espaço para negociações específicas com as categorias do funcionalismo público ao discutir a política de reajustes salariais. Em entrevista ao Metrópoles nesta terça-feira (27), ela afirmou que cada carreira deverá ser avaliada separadamente e criticou o modelo de aumento linear de 18% adotado pelo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
A proposta defendida por Celina é considerar as diferenças entre os servidores antes de estabelecer novos índices de correção. A governadora entende que o tempo transcorrido desde o último reajuste deve entrar na análise, já que algumas categorias enfrentam defasagens salariais mais antigas do que outras.
Ao comentar a decisão tomada na gestão passada, Celina classificou como injusta a aplicação do mesmo percentual a todo o funcionalismo. Ela citou o contraste entre carreiras que ficaram aproximadamente 20 anos sem aumento e aquelas que haviam recebido reajustes em um intervalo menor. Para a governadora, a falta de distinção entre essas situações comprometeu o equilíbrio da medida.
“Vou tratar carreira por carreira, ver quais ficaram para trás. Para fazer uma coisa com justiça. Eu entendo que a motivação dele foi ser justo com todo mundo, mas eu, que tenho quatro mandatos, conheço esta cidade. Então, muitas categorias ficaram muito bravas”, afirmou Celina.
A governadora também reconheceu que a iniciativa de Ibaneis teve alcance amplo ao contemplar diferentes grupos de servidores. A divergência, segundo ela, está no critério utilizado para distribuir os aumentos, que teria desconsiderado as necessidades específicas de determinadas carreiras.
Ao defender uma condução diferente, Celina destacou sua experiência política e o conhecimento das reivindicações existentes no Distrito Federal. A ideia é identificar quais categorias ficaram para trás e levar essas diferenças em consideração nas futuras negociações sobre remuneração.
Até agora, a governadora não apresentou um calendário para as negociações nem anunciou quais grupos serão chamados primeiro. Também não há definição de percentuais para eventuais aumentos. A orientação apresentada por Celina é substituir a lógica de um índice geral por discussões individualizadas com as carreiras do serviço público.
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